Friday, August 31, 2007

Harmonias de Euterpe—-O Bem

 

 

Que o Bem seja a alegria  e a luz do Mundo,

Que o Bem seja o seu melhor calor!

Que por sobre a bondade, sobre o amor,

Resplandecente brilhe um sol jucundo!

 

 

Que seja o Bem o sémen fecundo

A penetrar a Terra com vigor!

Que a toda a parte chegue o seu fulgor

E resplandeça até no mar profundo!

 

Que ele entre nas raízes e nos frutos,

E terá mais sabor o nosso pão !

Que o Bem faça dos matagais hirsutos

 

Frescos vergéis de sonho e de beleza!

Que o Bem reine no nosso coração…

E o Céu será na Terra com certeza!

 

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Harmonias de Euterpe—-O Amor e a Loucura

«Le résultat enfin de la supreme cour

 Fut de condamner la Folie

                                                  À servir de guide à l’amour»

                                                                            La Fontaine

De início,foi o Amor Menino -Deus

A quem, talvez p’ra nosso grande mal,

A Loucura vasou os olhos seus,

Em brincadeira estúpida e fatal!

Vénus, a mãe, envolta em níveos véus,

Pegando ao colo no infante invisual,

Queixou-se a Júpiter,o Pai dos Céus,

Que deu esta sentença original,

Lá da cerúlea e empírea morada:

Doravante a Loucura e o Amor serão

 Eternos companheiros de jornada!


Desde essa altura para cá, então,
Viu-se  sempre o Amor de caminhada,

Servindo-lhe a Loucura de bordão!…

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Harmonias de Euterpe—-Brinde (Aos 11 anos do Luis joão)

 

Estou a ver-te ainda de babeiro,

Flor de inocência em maternal regaço!

E mais recordo o teu primeiro passo,

Braços abertos para o mundo inteiro!

 

 

Lembro também, risonho e prazenteiro,

O Ser que do meu Ser é um pedaço,

Ir de fatinho branco e de laço

A comungar a Cristo Verdadeiro!

 

Meu menino, botão de lindo Abril

Que o sol da vida faz desabrochar,

Enquanto a mim os anos já consomem!

 

Entre desejos de venturas mil,

Um quero com veemência formular:

Que Deus te faça um verdaderiro Homem!
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Wednesday, August 29, 2007

Harmonias de Euterpe—-Indiferença

O patriarca Job
Na nossa já longínqua mocidade
Perguntaste-me um dia quem eu era!…
Sou,disse, o Job que a dor não desespera,
Eu sou o irmão gémeo da saudade!

Trago na boca o gume da verdade,
Dentro do peito, o lume da cratera!
Eu sou a ovelha mansa, eu sou a fera,
Aí tens tu a minha identidade!

Hoje,( ai quanto tempo já passou!)
Sei lá, eu sei lá bem quem sou?!
Houve na minha vida outras mulheres

E nenhuma tal coisas quis saber…
Serei aquilo que te apetecer,
Não serei nada ou tudo que quiseres!
Posted by Rorigo in 19:46:34 | Permalink | No Comments »

Harmonias de Euterpe—-Rêverie

Numa tarde alvacenta,em pleno Outono,

Com guachos de Inverno e Primavera,

EU vi, longe, no mar,uma galera

Que andava sob a névoa, ao abandono!

  

Velas rotas, sem mastros e sem dono,

Tinha o ar espectral duma quimera,

Vinda lá doutro Tempo, doutra Esfera,

Onde se dorme o derradeiro sono!

 

Ó galera da minha ansiedade,

Não sei se és verdadeira ou fingida,

Não és talvez coisíssima nenhuma!

 

És o«acerbo espinho» da sudade

Que trago dentro d’alma dolorida,

És o meu sonho a pairar por entre a bruma!
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Harmonias de Euterpe—-O meu fadário

 

Esses pés branquinhos, côr da neve,

Como os trazes doridos, pisadinhos!

Levaram-te por ínvios caminhos,

Num desvario felizmente breve!

 

Não se pode deixar de ânimo leve

Tantas horas de amor, tantos carinhos!

Já que trocaste rosas por espinhos,

Agora que te pague  quem te deve

 

Mas não! Vendo teus pés tão macerados,

Ficam meus olhos a chorar magoados

Lágrimas a escorrer do coração!

 

E ando a viver assim este fadário

De ser o Cirineu deste Calvário

Sem nunca poder dar-te o meu perdão!…

 

 

(foto citada dewww.sobresites.com)

Posted by Rorigo in 18:09:44 | Permalink | No Comments »

Harmonias de Euterpe—-Idílio campestre

Já cheio do bulício da cidade,
Alvitrei-te um passeio, campo adiante,
Tu acedeste com ’spontaneidade
E partimos nesse mesmo instante!

Suspensa do meu braço, ó beldade,
Sentia arfar teu seio palpitante
E a frescura da tua mocidade
Dava-me um prazer doce e excitante!…

A meio do caminho houve um momento
Que eu achei simplesmente belo e puro!
Foi quando tu, de coma ao vento,

Entre papoilas,num trigal maduro,
Ouvias expressar-te um juramento
A que jamais na vida fui perjuro!
(Foto citada de searadecores.blogs.sapo.pt)
Posted by Rorigo in 12:09:06 | Permalink | No Comments »

Harmonias de Euterpe—-Imparável caminhante

 «O temps, suspends ton vol»-Lamartine

 

 

Em seu silencioso galopar,

O tempo passa célere,incontido,

E deixa o fundo passo insculpido

Em tudo que seu pé anda a trepar!

 

O tempo corre louco sem parar,

Linearmente, sempre num sentido,

Sem olhar o caminho percorrido

Aonde nunca mais pode voltar!

 

 

Ao tempo, nos delírios do prazer,

Peço às vezes, d’alma suplicante,

Que deixer de fugir e de correr,

 

 

Que espere um só minuto, um só instante,

Mas ele segue sem nunca me atender,

O Tempo, esse imparável caminhante!…

 

(Ampulheta citada de troll-urbano.weblog.com.pt)

 

 

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Tuesday, August 28, 2007

Harmonias de Euterpe—-Libertação

Depois de nove lustros de opressão

Que a gente suportou em Portugal,

O Povo, em euforia triunfal,

Entoa, de alma nova, outra canção!


Ele canta a Liberdade e a redenção

Duma Pátria que Deus fez imortal,

Canta a força invencível dum ideal

De paz,fraternidade e união!


Ergue bem alto,ó Povo, os teus clangores

Sobre a glória dos teus libertadores,

 Mantem-te sempre forte e sempre unido!


Liberta-te da guerra e seus horrores,

 Adorna os canos dos fusis com flores

Não temas,  que jamais serás vencido!
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Harmonias de Euterpe—-Fantasia de amor

Deixou à minha porta um passarinho
Uma mimosa pluma de setim…
Parecia, assim branca como arminho,
Uma pena caída a um querubim!

De muitas vi juncado o meu caminho,
Qual delas a mais agra e mais ruim!
Mas esta (o amor é adivinho!)
É lembrança de quem pena por mim …

Mulher que não me pôde inda esquecer
Me manda por alado mensageiro
Este doce penhor de bem-qu’rer…

Por certo és tu, ó meu amor primeiro,
Que deste modo assim me vens trazer
Recordações do amor mais verdadeiro!
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