Quarta-feira, Abril 14, 2010
Quinta-feira, Setembro 3, 2009
O batelão do rio Limpopo
Em agradável viagem, quase sem dar-se conta,Marcela e Ricardo haviam chegado já à margem direita do Limpopo,o maior rio da África austral depois do magestoso Zambeze.Vem das montanhas do Matopo, cerca de Joanesburgo e anda 500Km até chegar à barra de Inhampura, no Índico.É uma monstruosa serpente que, quando nas cheias se espraia, faz das planícies que o bordejam um autêntico mar.Este rio foi testemunha, por volta de 1895, de muito arrojo e bravura de vários oficiais da Armada Portuguesa.Está muito ligado às guerras da Pacificação, foi teatro de muitas escaramuças, pois o Kraal de Gongunhana tinha nesta barreira aquática um fosso difícil de transpor.Nos princípios de Setembro de 1963, data em que Marcela e Ricardo chegaram às suas margens, ainda não existia a actual ponte, pelo que tiveram de atravessar o rio no velho batelão.Marcela ficou empedrada de susto quando viu Ricardo meter o jip ,de um salto, dentro do batelão que os levaria à outra margem onde ficava pouco adiante a cidade do Xai-Xai, apelidada pelos colonos de João Belo.Completa a carga, o batelão foi posto em movimento pelo impulso braçal dos negros que, de tronco nu, o suor a escorrer copiosamente, puxavam os cabos que o faziam singrar,lento e magestoso, sobre as águas lodosas e profundas do rio.E durante este vigoroso esforço de autênticos barqueiros do Volga, eles ainda tinham ânimo para bailar, tripudiar ,entoando cantilenas alusivas aos passageiros em que vislumbravam a possibilidade de obter uns cobres de saguati (gorgeta).Desta vez a inspiração veio-lhe do casal Marcela e Ricardo.Eles tinham uma intuíção, um faro incrível para detectar aqueles cuja generosidade lhes poderia dar uma ajudinha pecuniária que demonstrava bem a sua esperteza e sagacidade psicológica. Num ritmo frenético,iniciaram assim a sua salmodiada melopeia:
Bom dia minha sinhora/Bom dia sinhô patrão/Bamo lá,bamo imora/Navigá no batelão/Toda a noite, dia inteiro,/Negro neste combate/Ma ganha pouco dinheiro,/Pricisa de saguate!
Tudo isto era inédito e encantador para Marcela, neófita em África.Pegou na bolsa e deu um generoso óbolo aos barqueiros negros que esbugalharam os olhos com um saguati tão abonado e se desfizeram em angulares zumbaias de mesureira gratidão.
Terça-feira, Setembro 1, 2009
Moçambique:Sete de Setembro
Kátia, recém-casada, com sérias apreensões viu partir o marido para o teatro da guerra colonial de Moçambique, após uma breve lua de mel.
Entre o sobressalto de o perder e a saudade de o rever nos braços, fluiram dias cruelmente longos.O que ela nunca pensou é que esta ausência seria eterna!
Decorridos dois meses, recebeu em suas mãos trementes um aerograma do Quartel-General que em seu laconismo dizia:morto em combate o alferes Mário Lucena.Sentidos pêsames!
Resistiu a jovem viuva a uma dor inenarrável!Quis regressar a Portugal,mas a carência de transportes não lho permitiu fazer.
A situação de insegurança em que se vivia deu azo ao pânico que originou uma debandada geral.Daí resultou que não havia aviões que chegassem para tamanha evasão,para o escoamento de tal fluxo humano.
Sair daquele inferno de medos e incertezas era o supremo desejo de toda a gente! Foram vâs as expectativas de que o Governo estabelecesse uma ponte aérea eficaz para a soluão dum problema que afectava milhares de portugueses e que contribuiu para a desgrça de Kátia.Prestes a embarcar,depois de tão agónica e cruciante espera, foi apanhada no vórtice da cruenta hecatombe do Sete de Setembro, aziago dia de infernais pavores e de selvática carnificina, motivada pelo desnfreado racismo que culminou numa truculenta orgia de ódio incoercível,logo chegou a notícia do acordo de Lusaca.
Colhida por esse turbilhão de morte,por essa nova matança de Saint-Barthélemy, era uma das senhoras cujo jovem e formoso corpo se encontrava semi-nu num dos montes de cadáveres recolhidos pelas ruas de Lourenço Marques e empilhados no necrotério do hospital Miguel Bombarda.
Até onde pôde chegar, bom Deus, tão grande ferócia humana!
Foi diante deste terrífico espectáculo que chorou Joaquim Chissano num rebate incontido de compaixão humanitária.
Chorou o lider frelimista e chorariam as próprias pedras à vista de tanta hediondez!
Umas horas antes,aos gritos de pavor deta mulher e de tantas outras vítimas haviam ficado mudos os fusis lusos já ensarilhados na covardia e na desonra,pela criminosa ordemdos bandalhos militares e políticos que impiedosamente os haviam mandado silenciar…
Domingo, Agosto 16, 2009
Gago Coutinho

Gago Coutinho, o Grande Almirante das estrelas do Sul,é uma das mais lídimas glórias nacionais.Esse excelso marinheiro-aviador é o mais qualificado representante das gerações de descobridores e cientistas que fizeram a grandeza de Portugal.No dizer de Sarmento Rodrigues ele é «uma verdadeira expressão do espírito que dominou a gesta do Infante, a representação viva desse tempo glorioso».Como homem, digamos terrestre,nada deve em glória a grandes nomes como Albuquerque, Serpa Pinto, Capelo ou Mousinho;como homem dos mares não há dissolução de continuidade entre ele,e Gama ou Cabral; como cientista e geógrafo supera D. João de Castro que deslumbrou os homens do seu século.Se lermos a biografia do «velho corredor dos mares» lá encontraremos o segredo da sua vida heroica na sua inteligência e sobretudo na sua força de vontade. O grande tribuno António José de Almeida considerou o velho lobo dos mares e o Ícaro das Alturas «uma fonte inesgotável de emoção patriótica».
Gago Coutinho viveu alguns anos em Moçambique ocupado em trabalhos de triangulação e na demarcação das fronteiras do Niassa e de Tete. Homem crente, a mesma Cruz de Cristo que foi nas Caravelas dos argonautas de Quinhentos não faltou nas asas dos aviões Lusitânia e Santa Cruz que em 1922 selaram com beijo fraternal a amizade luso-brasileira. Este Príncipe das Alturas é uma alma gémea do Prícipe do Mar,o Infante D. Henrique.O Infante ensinou os marinheiros a usar o astrolábio, Gago Coutinho,intrduzindo no Sextante um horizonte artificial, resolveu o problema das grandes viagens aéreas que passaram a efectuar-se com uma precisão de rumo trignométrica.Apesar desta invenção,a sua modéstia é um dos aspectos mais apreciáveis do seu multifacetado acarácter. Considerava-se «apenas um navegador».Qundo lhe perguntaram como atravessou a África a pé respondeu com o seu conhecido humorismo: «Como havia de ser? De botas rotas para a água sair à vontade, porque entrar entrava sempre»! Os momentos indescritíveis da arribada a Guanabara foram a melhor recordação da sua velhice.Tão apoteótica foi a chegada ao Rio que o seu companheiro Sacadura Cabral gritou alucinadamente levado pelo entusiasmo que a todos empolgava: «Eu já não sei se sou português ou se sou brasileiro»! Realmente foi um feito arrebatador! Guerra Junquiro chama-lhe «mais um dia em flor cantado e rezado na História de Portugal«!
Sexta-feira, Julho 10, 2009
O Burrinho de Prata e de Luar
Rogério Ribeiro Gomes é um poeta sem pressas.
Mesmo assim viu esgotada a primeira edição deste livro que «foi feito por mero diletantismo, para íntima satisfação perssoal, para passar mais amenamente o longo e chuvoso inverno de 1979, sem qualquer outra ambição».
Tinha-se apresentado ao público, em 1980 com Rimas Andaluzas.Em 1994 voltou com Murmúrios do Silêncio e com Veredas do Destino. Fez bem,em 1998, decidir-se a trazer à estampa este Burrinho de Prata e de Luar, título que substituiu o original: Rimas Andaluzas «por ser mais consentâneo com o idealismo poético consubstanciado em Platero y Yo (de Juan Ramón Jiménez, Nóbel da Literatura em 1956»)
São 72 poemas que enchem a alma de qualquer leitor sensível à beleza das palavras, quando, como neste caso, brotam como seiva fecunda e inesgotável.
(Crítica de Barroso da Fonte in Poetas e Trovadores)
Segunda-feira, Julho 6, 2009
Aniversário da Revolução Francesa por Rogério Gomes

Tomada da Bastilha
Vai passar, a 14 deste mês de Julho, mais um aniversário da Revolução Francesa.Data de tanta relevância é digna de ser rememorada, pois marca o início da História Moderna e o fim dos regimes feudais e corporativos, substituídos por um novo sistema social e político criado pela burguesia.
Nesta viragem histórica teve papel preponderante «a arraia miúda», os chamados sans-culottes que, de chuço em punho, atacaram a Bastilha, sacudindo o despotismo real e proclamando o princípio da Igualdade de direitos e o princípio da Liberdade entre os homens.
Para Luis Blanc e todos os liberais e republicanos, a Revolução só teve aspectos positivos, quer no plano político, quer no social,quer no económico.Mas José Maistre não vê nela senão o espírito diabólico e a destruíção de princípios seculares.
Taine,na sua obra Origens da França Contemporânea,toma uma posição eclética que é hoje geralmente admitida: a Revolução trouxe vantagens incontestáveis,mas levou também a abusos e crimes monstruosos.
A Revolução Francesa foi sobretudo um movimento político que visava os princípios da constitucionalidade e da legalidade. E essas duas grandes aspirações triunfaram quando a Assembleia Constituinte elaborou a Constituíção de 1791, segundo a qual as leis não dependeriam mais do arbítio do Rei, mas da Assembleia Nacional. Acabara o Absolutismo , a soberania seria exercida pela Nação.
Do princípio da Legalidade emanou a Igualdade, a Liberdade e a Separação dos Poderes.Os dois primeiros ideais logo ficaram consagrados na Declaração dos Direitos do Homem: o homem nasce livre e igual em direitos. Ora assim sendo, o próprio Rei não é mais que um cidadão, sem honras dos títulos de Sire e Magestade.
Quanto à separação de Poderes, foi também um duro golpe no despotismo da Realeza. A Revolução pôs em prática a doutrina de Montesquieu, pela qual os Poderes legislativo, executivo e judicial passarm a ter orgãos próprios.
Em breve análise, podemos concluir que politicamente a Revolução se fez no sentido de transformar as instituições absolutistas em democráticas, contitucionais e parlamentares.
Socialmente, os resultados da Revolução não foram menos importantes. O povo miúdo algo beneficiou dela, mas a parte de leão,depois das sangrentas arruaças, coube à burguesia jurista, à nova nobreza da toga, (os advogados) que, em privilégios quis igualar-se à Nobreza de espada e nascimenrto.
O triunfo dessa burguesia começou na Constituinte, cresceu na República e atingiu o apogeu no Directório.Triunfou da Realeza, impondo-lhe a Cons tituição e proclamando a República; triunfou sobre a Nobreza, quando a Constituinte promulgou a Declaração dos Direitos do Homem; triunfou sobre o Clero, quando lhe impõe a Constituição Civil; triunfou sobre o Povo porque se tornou senhora das grandes manufacturas ,monopolizou o comércio e a indústria e acabou com as Corporações medievais.
O Povo conquistara a Liberdade, mas não tinha pão cozido!
Nâo foi menos relevante o papel da burguesia intelectual representada por Voltaire,Bodin e Montesquieu que fizeram com a pena o que «o pé descalço» fez com o chuço.
Culturalmente a Revolução não deixou obra que se visse!…Além de Lavoisier, Carnot e Madame Stael, não houve uma geração de intelectuais famosa como aquela que a precedeu (os enciclopedistas) e aquela que se lhe seguiu -a dos grandes romancistas.A política absorveu totalmente os homens do tempo da Revolução.Sob o ponto de vista religioso ficou marcada com os estigmas do ódio e da indiferença.O Clero foi vítima de violentas perseguições,a Igreja e as Ordens religiosas foram esbulhados dos seus bens e até o Papa,durante o Império, foi humilhado por Napoleão. Todas estas hostilidades haviam ficado logo patentes na Contituição do Clero.
A Revolução também não resolveu o problema económico, posto que ele fosse a origem do levantamento popular. Foi já durante o Império que se fez a primeira tentativa para equilibrar o Orçamento, mas a derrota de Napoleão, «le petit caporal»,deixou a França na mesma crise financeira em que se encontrava aquando da tomada da Bastilha.
Como todas as revoluções, a francesa, de 1789, teve coisas boas e péssimas,sobejamente conhecidas.
A justiça do Povo é sempre violenta e incongruente porque sempre se fundamenta no ódio e na exaltação política.Todavia, muitas pedras preciosas saíram da ganga revolucionária, entre elas os pulcros ideais da Liberdade e da Igualdade.Pena foi que esta doces palavras,fulcro de toda a Justiça ,fossem escritas com o sangue de tantos patriotas.Nem os mais impolutos, como Robespierre,foram poupados pela guilhotina!…
Domingo, Julho 5, 2009
Carta do Sr. Prof. Dr. Pina Cabral sobre o romance «Mártires e Heróis» de Rogério Gomes

Logo que recebi «Mártires e Heróis Sem Glória» li-o de uma assentada,o que estou certo acontecera a todos os seus leitores.
O romance surge-me como obra da maturidade dum escritor que sabe tão bem recriar os lugares onde a acção decorre,porque a eles ficou indissoluvelmente ligado pelo sortilégio de África.
A obra de ficção,porém, revela o talento do escritor pelo realismo com que descreve situações mavórticas que não viveu.Teve que estudar, o que aliás fazem os Mestres das Letras segundo há dias aprendi com o Saramago,prémio nóbel da Literatura.
Num colóquio a que assisti, ele contou à assistência que o Memorial do Convento nasceu num dia em que no terraço fronteiro ao monumento pensou:«gostaria de meter este mosteiro num romance»
Depois veio todo o trabalho de estudar a época,os costumes,os reis, os personagens e a odisseia de erguer, com a morte de mais de 1000 operários aquela mole imensa.
Este tipo de criação não é acessível a todos os mortais, só aos eleitos.
Aprendi também com ele,que o romancista não se limita a colocar em cena os personagens e eles lá seguem o seu destino… Pelo contrário,o personagem vai para onde o seu criador o guia.
Isso nota-se nas deambulações de Marcela e Ricardo ao longo do romance,e nas intervenções dos outros tão bem caracterizados intervenientes.
O português do romance é erudito e revela a cultura profunda que o seu autor aprendeu nos clássicos.Enriquece o nosso vocabulário!
A inutilidade duma guerra,as injustiças e os dramas que acarretou,nota-se que foram sentidos por quem tão bem as descreveu.
(Carta que o meu ilutríssimo amigo ,já nas mão de Deus, me escreveu pelo Natal de 2001)
Quinta-feira, Julho 2, 2009
Homenagem a Nadir Afonso, por Rogério Ribeiro Gomes

Quando assim sai do peito a gratidão,
Límpida como as águas da nascente,
Numa espontaneidade de expressão
Própria de quem amarras não consente,
Não procuremos outra explicação
P’rá fidalga presença desta gente!
O sentir do seu nobre coração
Aqui o deixa hoje bem patente!
Aqui estamos todos de alma aberta,
Fazendo uma homenagem justa e certa
A um pintor de fama universal,
Que a um poeta mimoso deve a vida
E o génio da sua arte, difundida
Em telas de beleza sem igual!
Este poema foi escrito por mim num guardanapo de papel durante um jantar de homenagem a Nadir Afonso e que ficou por dizer,pois a família que me acompanhava achou que eram horas de retirar e, com a pressa, não encontrei a chave de oiro que exige uma composição petrarquiana.Ou talvez por causa da pinga do Faustino onde decorreu o jantar…
O Modernismo,devo esclarecer com toda a franqueza,que não o aprecio nem o entendo,quer em poesia quer em qualquer manifestação artística,fora dos grandes corifeus e alguns discípulos de génio que com eles se identificaram.
O Modernismo nasceu nos primeiros anos do passado século,num momento de crise universal em que era preciso conciliar a Teologia com os avanços da Ciência e do Progresso.
Neste intento, esteve na vanguarda o Krausismo alemão, uma filosofia de modernismo religioso de que derivou o modernismo artístico,numa espécie de Krausismo laico.Muitos artistas exageraram de tal modo o pensamento liberal de Krause que caíram num libertarismo artístico, voluntarioso, anárquico e alheio às regras «do bom senso e do bom gosto» que são as leis supremas da arte.E muitos esconderam a sua mediocridade sob esta capa!
Andam por aí poesias, esculturas e pinturas de badalados artistas que as fariam melhor crianças do Ensino básico.
É esta uma opinião (não haja deturpações!)que nada tem a ver com a genialidade artística dum dos maiores pintores modernistas destes tempos, tendo nós a supina honra de ser um flaviense!
(A foto em epígrafe foi citada de serurbano.wordpress.com)
Quarta-feira, Julho 1, 2009
«Veredas do Destino», da autoria de Rogério Ribeiro Gomes
O autor,natural do concelho de Chaves, onde foi professor,voou mais tarde para Moçambique,onde foi inspector escolar, regressando à Pária depois do 25 de Abril.
Tudo isto lembra uma odisseia que, ele, como poucos, descreve com laivos de grande estilista que é, com rasgos de grandes descrições literárias e de factos da vida real que tornam os diversos contos cheios de interesse e que prendem a atenção de qualquer leitor.
Rogério Ribeiro Gomes lida, tal como o nosso Camilo,com o português, fazendo dele um escritor de grande sensibilidade e grande conhecedor e intérprete de personagens de qualquer categoria, cuja linguagem interpreta e encarna.
Nos diversos contos,com início no sítio onde nasceu e foi criado na sua meninice,no «chão da minha infância»,em prosa corrente, clara, límpida, narra redcordações de antanho O mesmo se segue em «Ódio maldito» e na figura do tio Capelas, homem típico do lugar, de indeléveis e patuscas recordações.
Interessante é o «Pinheiro falante» e o encontro com os morcegos no cabo da mina.
Outra narrativa histórica e real é a da «Chuva de estrelas»de 1933 de que bem nos lembramos.Depois vem a história do «Fuínha» e o conto da «Ruça», a burrinha que lhe pregou uma partida e lhe foi pérfida como o seu primeiro amor…Segue-se o «Baptismo de Fogo», recordando a partida de suas tias para o Brasil e o desastre com a lata de pólvora de caça.
Em «In diebus illis» conta a vida do Seminário e as peripécias que aí o marcaram para toda a vida!
«Venturas por entre lágrimas» é a descrição de diversos acontecimentos que decorreram em África:Xai-Xai, Lourenço Marques , Inhambane e Quelimane.
No livro IV,o último, está o tema «Cangalheiros do Império» onde exprime com dados concretos o triste fim do Impéro Ultramarino ,dizendo tudo da desgraça que daí adveio:efeitos da Descolonização,o 11 de Março, o 25 de Novembro,a Democracia de fachada,a miséria dos funcionários ultramarinos, as reformas chorudas dos Deputados,a inversão de valores que ocorre em todas as Revoluções.
Por fim recorda o 7 de Setembro em Lourenço Marques e as horríveis matanças que fizeram chorar até o próprio lider da Frelimo. O melhor será ler…
Nota:
(João Baptista Martins, meu grande amigo já falecido,escreveu esta crítica no Notícias de Chaves, em 27/2/02. Honra a sua memória!)
Domingo, Maio 24, 2009
Os 80 anos do Avô


Ao Avô e pai amigo
Comemora hoje o nosso avô 80 anos de vida.Está, por isso, de parabéns.
Nós que somos os seus netos gostariamos, nesta hora, de o felicitar com muita alegria e votos de longa vida.
Todos os netos costumam gostar imenso dos avós.Há qualquer coisa neles; talvez a experiência da vida; tavez a longevidade, talvez a sabedoria que naturalmente faz com que se aproximem de nós com mais facilidade, com mais vontade, com mais simpatia (simpatia pelos nossos poucos anos e compreensão pela nossa inexperiência.)
Nós temos de afirmar uma coisa: nós não gostamos do avô. Nós adoramos o nosso avô!
Temos a certeza que, como se costuma dizer, o avô é mesmo «Pai duas vezes».Para nós, tem-no sido sempre e, temos a certeza, sê-lo-á para sempre.
É o esteio mais seguro da família (desculpa avó,tu também és!) O ponto fixo onde todos sabemos ter guarida segura em todas as ocasiões.
O nosso avô é uma força da Natureza.Senhor dum sentido de humor inegualável;amantíssimo da família; apaixonado pela avó desde há muitos anos ;capaz de tudo para nos ver felizes;um poço de experiência ao serviço dos netos; o primeiro a querer ajudar nos momentos menos bons que todos já passámos e, bem o sabemos, ainda vamos passar.
O avô tem uma energia sem fim:não desiste; não se queixa; não desarma;tem 80 anos a partir de hoje e parace que tem 13 ou 14.Nunca parou de pensar, nunca há-de parar de fazer o que quer; a vida dele é para nós exemplo a seguir; uma luz imensa que nos ilumina todos os dias; uma luz que jamais se apagará dos nossos corações e da nossas vidas enquanto vivermos.
Querido avô, Muitos, muitos anos de vida e muitos, muitos Parabéns!
És o melhor!
Os Netos amigos:
Ana Oliveira
Mariana Dimas
Francisco Chaves
Rita Chaves
(Texto com que fui homenageado pelos meus queridos netos,fazendo 80 anos)
